Ao longo dos últimos anos, o número de pessoas da terceira idade está aumentando
consideravelmente no Brasil. Entre 2012 a 2016 a população com mais de 60 anos cresceu 16%, chegando a 29,6 milhões de pessoas. Esse crescimento deve-se ao aumento da expectativa de vida da nossa população.

No entanto, a vida não se sustenta sem energia, nutrientes e água: todos estes itens são críticos para a sobrevivência, o envelhecimento saudável e a longevidade.
Por isso, a recomendação é que se procure um Geriatra  a partir dos 60 anos, mas nada impede que se visite este profissional antes desta idade para se prevenir e se adaptar às
mudanças inerentes ao envelhecimento. 

Um dos problemas que surge ao ser humano com a chegada da maturidade é a diminuição da massa corporal magra (LBM, do inglês Lean Body Mass), que inclui todo o tecido corporal, exceto a gordura,  e é responsável por 75 % do peso de uma pessoa. A musculatura esquelética abrange de 50 a 60 % da massa magra por peso. Na ausência da ingestão de nutrientes, o músculo é o principal repositório de proteínas e aminoácidos utilizados na síntese proteica. A manutenção da massa muscular é essencial para o suporte do metabolismo proteico em todo o organismo, a cicatrização de feridas,  a força física, a função dos órgãos, a integridade cutânea e a função imunológica.

Com a idade, os indivíduos começam a perder a massa magra. Este processo se
inicia ao redor dos 30 anos de idade e, normalmente, continua sem pausa. Aos 30 anos, o ganho de peso começa a provir preferencialmente da gordura, ao invés do músculo.
Aos 40 anos, a perda ocorre na taxa de 8 % por década e após os 70 anos, a taxa de perda da massa magra é de até 15 % por década.

Em idosos a perda da LBM (massa magra) compromete a perda da força física e a
energia, aumentando a fadiga e o risco de quedas e fraturas; enfraquece o sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade às doenças e à infecção; compromete a cicatrização, reduzindo a capacidade de recuperação  de cirurgias, levando a indisposição  ou doenças. Algumas consequências documentadas pela perda da LBM em idosos são:
 

  • Fragilidade (redução da capacidade de caminhar, subir escadas e carregar peso)
  • Incapacidade física (risco três  a  quatro vezes maior  de morbidade crônica e comportamento de saúde, independente da idade, gênero, obesidade, etnia, status socioeconômico)
  • Perda de independência (redução da capacidade de lidar com doenças
    importantes e limitação da capacidade de atividades em virtude da diminuição da capacidade aeróbica)
  • Aumento da mortalidade

Portanto a manutenção da LBM é fundamental para uma longevidade e
independência.

Como vimos envelhecer é uma constante mudança corporal. Precisamos estar atentos e preparados para cada fase, portanto consulte seu geriatra. Ele pode ser seu melhor
mentor rumo à longevidade. 

Seu médico poderá recomendar uma alimentação saudável rica em proteínas, alguns suplementos à base de proteína e a prática de atividades físicas, principalmente à base de exercícios resistidos (por exemplo, a musculação), devidamente dosados, capaz de reverter ou estacionar o processo de perda da massa magra.

Por Dr. Leandro Augusto Vieira Nunes: Ortopedista, Traumatologista, Fisioterapeuta e Graduando em Geriatria e Gerontologia. 

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