Fake news confundem internautas e colocam em risco a saúde da população

O público da terceira idade está cada vez mais conectado. Internet e aplicativos, para tablets e celulares, já estão inseridos na rotina de boa parte da população idosa no Brasil.

 

De acordo com estudo do IBGE, divulgado em dezembro de 2018, a proporção das pessoas com mais de 60 anos que acessaram a internet subiu de 24,7% (2016) para 31,1% (2017) e mostrou o maior aumento proporcional (25,9%) entre os grupos etários analisados pela pesquisa. E a presença do público maduro no meio digital só tende a subir.

  

Não há dúvidas de que o mundo digital trouxe inúmeros benefícios, como otimizar o tempo, reordenar rotinas, proporcionar maior acesso ao conhecimento e disponibilizar uma infinidade de assuntos, além de ajudar a manter nosso cérebro ativo e dinâmico. Mas, é preciso estar atento às armadilhas que, infelizmente, se escondem no espaço virtual.

 

“Informações que contenham dados alarmantes ou cujo conteúdo seja muito absurdo ou, ainda, que prometam curas revolucionárias ou milagrosas devem ser recebidas com receio e, sempre que possível, checadas antes de serem repassadas ou adotadas”, orienta Edoardo Vattimo, coordenador de Comunicação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Para Edoardo, a pouca familiaridade com a cultura digital pode tornar a experiência da navegação na internet um risco para o público de terceira idade, uma vez que, além de golpes financeiros, cresce assustadoramente o número de fake news disseminadas pelas redes.

 

As redes sociais permitiram a difusão de conteúdo de qualidade em saúde para a população, por meio de páginas e influenciadores sérios, incluindo respeitadas instituições de saúde. Mas também permitiram a disseminação de falsas informações, as chamadas fake news, cujas fontes, muitas vezes, são impossíveis de serem verificadas. Os chamados “robôs” (bots), contas automatizadas que usam inteligência artificial, podem influenciar o comportamento das redes. Na saúde pública é preocupante sua influência quando há por trás interesses financeiros ou ideológicos, ao invés de técnicos ou científicos”.

Para ilustrar esses perigos, Edoardo cita a recente pandemia do vírus Zika, que deixou claro o papel de robôs que contribuíram para alterar a percepção da população sobre o tema, criando pânico e rumores. É fato que a associação do Zika a graves consequências, como a microcefalia, levou a questão ao topo das manchetes globais, o que, por si só, gerou pavor entre a população e fez a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar, em 2016, a pandemia como emergência de saúde pública internacional.

À época os questionamentos da própria comunidade científica a respeito do vírus abriram espaço para que boatos emergissem e fossem disseminados nas redes, como a falsa informação de que não seria o vírus o responsável pela microcefalia, mas sim um larvicida. Nem mesmo as vacinas foram poupadas. Alguns boatos tentaram atribuir a microcefalia às vacinas distribuídas pelo governo brasileiro. O impacto negativo desse tipo de inverdade é preocupante, pois pode dificultar o controle do vetor e a cobertura vacinal.

“É sabido que a informação falsa é mais difícil de ser combatida conforme o tempo passa, uma vez que, quanto mais ela é replicada e difundida, tende a se ‘cristalizar’ como se fosse verdade. As intervenções para combatê-la devem ser, portanto, rápidas, compatíveis à velocidade das redes sociais”, conclui Vattimo.

Para inibir a disseminação das fake news sobre saúde, o Ministério da Saúde disponibiliza um número de WhatsApp para o recebimento de mensagens da população. Qualquer cidadão poderá enviar, gratuitamente, mensagens com imagens ou textos recebidos via redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando. O número é (61)99289-4640.

 

 

 

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